A Corrida do Ouro e a Internet

corrida-do-ouroUma vez comentei com um cliente sobre a bolha da internet, e ele me fez uma pergunta “Quem ganhou dinheiro com a corrida do ouro?”. Entendi na hora aonde ele queria chegar, afinal no final da década de 1990 vivenciamos o sonho da internet e o estouro da bolha em 2000. Muitos “garimpeiros” acharam que desenvolver sites os fariam ricos, mas descobrimos a duras penas que o marketing online ainda teria um longo caminho a percorrer. Atualmente, a internet já se consolidou como ferramenta essencial na estratégia de qualquer empresa, mas vale a pena refletir sobre o passado para evitar o surgimento de novas bolhas.

O objetivo deste artigo não é ser um estudo acadêmico, mas apenas um convite à reflexão para que possamos tomar decisões mais assertivas como investir nosso tempo de estudo e o dinheiro de nossos clientes nos projetos de marketing online.

Nos últimos anos, duas grandes tendências se consolidaram como essenciais nas estratégias de marketing online: O marketing de busca – também conhecido como SEM (search engine marketing) – que se divide em links patrocinados e SEO (search engine optimization) e as redes sociais (Social Media).

Como reação natural, surgiram diversas agências especializados em SEO e redes sociais. As agências web também passaram a oferecer serviços de SEO e redes sociais com parte de seu leque de serviços, infelizmente é comum estagiários assumirem estas atividades que não são o core-business. É importante valorizarmos cada atividade, pois ofertar serviços do qual não somos especialistas apenas prejudica todo setor. SEO e redes sociais vieram para ficar, e devem ser tratados como novos segmentos de mercado, tal como é o design e a programação.

Que lição podemos aprender com a crise pós-bolha em 2001? Na minha opinião, em 2001 esquecemos que era necessário ter audiência e pessoas navegando na internet. Naquela época ainda era comum muitas pessoas usarem internet discada, a base de usuários ainda era pequena e o tempo médio de navegação era muito menor do que hoje. O resultado desta combinação de fatores era a impossibilidade de fechar a conta entre anunciantes, portais e PÚBLICO. Em resumo, tinha muito portal para pouco público.

Uma nova bolha?

Li este post no twitter do @renedepaula, e vale uma boa reflexão.

Mercado de SEO

Sobre o mercado de SEO e redes sociais, acredito que está ocorrendo algo similar, pois há um crescente número de profissionais que estão se capacitando (OK), porém muitos oferecem o serviço sem conhecimentos mínimos necessários para prestar um serviço de qualidade (não OK).

Aém disso, ainda é muito grande o número de profissionais de marketing, sócios/donos de empresas e outros profissionais de negócios que não entendem a importância de aparecer nos resultados orgânicos de busca (early-majority e later-majotiry – ver artigo: Marketing e Tecnologia: Eterno Dilema). Muitas pessoas que tomam decisões de investimentos em marketing focam apenas nos links patrocinados como estratégia de marketing de busca, o que é um erro estratégico.

Creio que é necessário um movimento de todos no sentido de criar uma cultura de busca nas pessoas de modo que o SEO se torne uma prioridade, e com isso, o aporte de investimentos e demandas de projetos será maior. Também é fundamental mostrar a importância do investimento na geração de conteúdo para potencializar o trabalho de SEO.

Dentre os principais fatores para o SEO, podemos destacar a meta tag TITLE, as URLs amigáveis e o número de páginas indexadas. Notem que a cada novo artigo em um site, teremos mais um TITLE, uma URL amigável e uma URL indexada no Google. Em resumo, quanto mais conteúdo melhor para o SEO.

A área de conteúdo deve conhecer as boas práticas de SEO para conteúdo e alimentar o site com conteúdo relevante. O conteúdo não deve ser apenas o tradicional, deve ser relevante e cativar o leitor como um bom livro. Sabemos que isso exige investimento de tempo e recursos (contratar bons profissionais de conteúdo), mas o resultado irá surpreender. Como está o conteúdo do seu site?

Aproveitando a metáfora da corrida do ouro, conteúdo relevante são as jóias resultantes de um bom trabalho de garimpagem.

Este gráfico ilustra como seria o ciclo de vida do SEO, mostrando que estamos na fase de crescimento e maior lucratividade, mas que o aumento da competição irá gerar um declínio do lucro e uma consolidação dos players. Como ocorreu no início da internet quando houve um boom de produtoras web, estamos vivenciando um boom de agências de links patrocinados, SEO e redes sociais.

Aprendizado como solução

Gosto muito desta frase “Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.” (Leonardo da Vinci), pois ela reflete a minha opinião sobre a importância de resistir à tentação de colocar os ganhos financeiros à frente do aprendizado.

Ministro cursos de AdWords e SEO (search engine optimization) desde 2007, e tenho visto como pessoas sem conhecimentos da importância do marketing de busca saem do curso encantadas com esta nova maneira de olhar o marketing online. É importante que todo profissional de SEO assuma seu lado professor.

Redes Sociais

Não sou especialista em redes sociais, apesar de ser um heavy-user, usando de forma ativa o Twitter, Facebook, Youtube, Slideshare, Flickr, Scribd, Gengibre, Delicious, Gafanhoto, Digg, etc. Portanto, peço a compreensão dos especialistas em Social Media nas opinões que darei a seguir. Retirei este trecho de uma matéria publicada em 2007:

“Vejam o caso do Facebook, um site de redes sociais que ainda não provou sua viabilidade financeira: consta que seu valor está sendo avaliado pelos investidores em até US$ 15 bilhões. Isso equivale a quase metade do valor de mercado do Yahoo, uma empresa com 38 vezes mais funcionários e, com base em estimativas sobre a receita do Facebook, 32 vezes mais faturamento.” Fonte: Tecnologia Terra

O Twitter é um excelente exemplo da explosão de uma rede social. Já se consolidou entre os usuários inovadores e early-adopter (ver artigo: Marketing e Tecnologia: Eterno Dilema), mas ainda não faz parte do dia-a-dia da maioria das pessoas que desconhecem redes sociais que para as pessoas mais ligadas à inovação são comuns como Slideshare, Digg e Delicious.

Tenho visto um crescente número de ofertas de serviços de ações de marketing online em redes sociais. Não quero negar a importância de investir em redes sociais, mas reforçar que devemos evitar as armadilhas de achar que seu apenas um bom usuário de redes sociais já nos capacita a fazer um planejamento de ações em redes sociais.

Enquanto o SEO tem um foco no conteúdo, as redes sociais são focadas no diálogo. Por este motivo, é muito importante que profissionais de marketing/comunicação utilizem e/ou testem as principais redes sociais para ter a oportunidade de serem usuários. Afinal, como planejar ações no Youtube, Twitter, Facebook e outras redes se as pessoas envolvidas não passaram pela experiência de postarem um vídeo no Youtube ou terem seguidores no Twitter?

Um case de uma campanha com miopia de marketing no Youtube, é da empresa Centauro. Li um artigo no Portal da Propaganda com elogios à “primeira campanha interativa no Youtube (ver vídeo)“, mas visitando o vídeo você perceberá pelos comentários que não atingiu o público de forma eficaz e não teve nenhum efeito viral (tem menos de 20 mil visualizações desde junho/2008). Esteticamente é bonito, mas de interativo….

Em contrapartida, digitem “Galinha” no Google e assistam o excelente vídeo da Galinha Pintadinha com mais de 9 milhões de visualizações! Meu fillho tem 6 anos e adorou os vídeos, e adivinhem só… a responsável pelos vídeos é uma produtora – Bromélia Filminhos – de Campinas. Um case de sucesso de marketing viral, SEO e redes sociais, parabéns para os responsáveis!

Conteúdo e redes sociais

Antes das redes sociais, o conteúdo era publicado no site da empresa. Atualmente, é importante rever nosso conceito de CONTEÚDO, pois os 140 caracteres do Twitter podem parecer insignificantes, mas a partir dele podemo ser levados para vídeos no Youtube, Blogs, Fotos e outros conteúdos relevantes indicados por uma pessoa que escolhemos seguir. As redes sociais estão muito mais ligadas ao conceito de diálogo e conexões com pessoas, do que conteúdo e palavras-chave como no SEO.

O nosso site passa a cumprir a função de agregar parte do conteúdo que temos distribuído na internet.

Conclusão

Para concluir o raciocínio deste artigo, quem ganhou dinheiro na corrida do ouro foram as pessoas que vendiam pás e picaretas. Nosso desafio atual é descobrir quais são as pás e picaretas da internet de hoje. Se você descobrir, lembre-se de me avisar também!

Referências:

Marcio Okabe

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